Por mais de dois anos, Fernandinho Beira-Mar conseguiu se manter longe das autoridades vivendo na região amazônica da Colômbia com uma nova identidade. Em depoimento recente, Luiz Fernando da Costa relatou detalhes do período em que usava o nome falso de Álvaro, enquanto tentava evitar uma captura que poderia levá-lo à Justiça dos Estados Unidos. A informação foi divulgada em uma sequência de reportagens do jornal Extra, que teve acesso ao depoimento em vídeo.
O traficante afirmou que o principal temor durante a fuga era ser preso e enviado ao território americano, onde já respondia a investigações relacionadas ao tráfico internacional de drogas. Segundo ele, a possibilidade de extradição era uma preocupação constante enquanto permanecia escondido em uma área dominada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Beira-Mar chegou ao país vizinho em 1999 e contou que precisou negociar sua permanência com integrantes da guerrilha para continuar protegido no local. Durante esse período, segundo o relato, ele passou a circular usando a identidade de Álvaro e viveu em meio à estrutura controlada pelo grupo armado.
O traficante também relembrou um episódio em que ficou ferido durante a Operação Gato Negro. Na ocasião, integrantes das Farc teriam ajudado no deslocamento dele até um hospital na Venezuela, em uma ação que, segundo o depoimento, envolvia um acordo da organização com o governo do então presidente venezuelano Hugo Chávez.
A passagem pelo país, porém, teria sido interrompida pelo próprio medo de ser localizado. Beira-Mar afirmou que deixou a Venezuela porque acreditava que poderia acabar preso pelas autoridades locais e posteriormente encaminhado aos Estados Unidos.
A trajetória internacional do criminoso já havia colocado seu nome no radar das autoridades americanas. Em 2002, o governo dos Estados Unidos incluiu Luiz Fernando da Costa em uma lista de sanções voltada a grandes chefes do narcotráfico estrangeiro, criada pela chamada “Foreign Narcotics Kingpin Designation Act”.
A classificação permitiu a aplicação de restrições financeiras contra o traficante, com bloqueio de possíveis recursos e medidas para dificultar sua atuação. Os documentos americanos apontam acusações envolvendo tráfico internacional de drogas e conspiração, apesar de o nome aparecer registrado com uma pequena diferença de grafia.
Outro brasileiro que também passou a integrar a lista da Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) foi Leonardo Dias de Mendonça, citado como parceiro de Beira-Mar. Ambos foram investigados pela DEA, agência americana de combate às drogas, por suspeitas de envolvimento em uma rede de tráfico internacional com participação das Farc e destino final nos Estados Unidos.
No depoimento, Beira-Mar ainda descreveu como era a vida sob identidade falsa, os cuidados para não ser encontrado e a rotina durante o período em que permaneceu escondido na Colômbia.












