Em live, Flávio evita dar detalhes de fuga para os EUA e diz que decidiu deixar o Brasil após intimação da PF

4 Min Read
Em live, Flávio evita dar detalhes de fuga para os EUA e diz que decidiu deixar o Brasil após intimação da PF
Flávio Bolsonaro em live Crédito: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que decidiu fugir do Brasil depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes. Na primeira manifestação desde que deixou o país, feita em uma live no Instagram, o candidato derrotado à Presidência contou que conversou com a esposa antes de partir, mas não esclareceu como a viagem foi organizada ou financiada.

Segundo o parlamentar, a intimação ocorreu quando ele saía da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por volta das 10h30. Flávio disse que permaneceu cerca de meia hora no imóvel e que Jair acompanhou a abordagem dos agentes. Após receber a determinação, afirmou ter dito ao pai: “Já sei onde eles querem chegar e já sei o que tenho que fazer”.

O senador relatou que, ao voltar para casa, conversou com Fernanda Bolsonaro e decidiu deixar o Brasil. Não explicou, porém, a logística do trajeto nem a participação dos governos da Argentina e dos Estados Unidos na operação.

A saída ocorreu por terra, pela fronteira com a Argentina, acompanhado da esposa e das duas filhas, conforme confirmou o governo argentino. Na noite de terça-feira (27), a família embarcou em um voo privado que fez escala em Guayaquil, no Equador. Durante a parada, o plano de voo foi atualizado para Miami.

O desembarque nos Estados Unidos ocorreu na quarta-feira (28). Segundo dados do FlightRadar, plataforma de monitoramento aéreo, o avião pousou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, às 9h23 no horário local, 10h23 em Brasília.

De acordo com o jornal The New York Times, o jato teria sido providenciado por Jason Miller, conselheiro de Donald Trump. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que mora nos Estados Unidos, mantinha contato com Miller, segundo a reportagem.

Autoridades americanas ouvidas pelo jornal disseram que Trump assegurou a entrada de Flávio no país. O senador teria utilizado o passaporte diplomático brasileiro, embora o documento já tivesse sido cancelado pela PF na segunda-feira, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio e família receberão visto para viver no país.

Carta golpista

Já em território americano, Flávio divulgou uma carta de teor golpista em que se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota nas urnas. Em uma versão posterior, alterou a expressão para “líder do Brasil”.

Na transmissão, o senador voltou a contestar o sistema eleitoral com acusações sem evidências. Após a fuga, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, reafirmou a legitimidade da eleição. O resultado foi reconhecido pelo próprio PL e por aliados e partidos que apoiaram a candidatura de Flávio.

Lula (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos, enquanto o senador recebeu 48,21%. No primeiro turno, Flávio havia terminado à frente do petista, com uma vantagem superior a dois milhões de votos, mas não conseguiu sustentá-la na etapa final da disputa.

“Trincheira no Brasil”

Além dos ataques à eleição, o parlamentar reiterou o apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado, posição que já havia defendido na carta divulgada após a chegada aos EUA.

“A nossa trincheira, neste momento, será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. A pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal”, declarou.

Flávio também pediu que seus apoiadores pressionem os senadores em favor de Marinho e apresentou a disputa pelo comando da Casa como uma forma de resistência ao governo Lula.

Propaganda
Compartilhe este artigo