Centrão reajusta relação com PL em disputa pelo comando do Congresso

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Centrão reajusta relação com PL em disputa pelo comando do Congresso

A dinâmica política em Brasília passa por uma reconfiguração pós-eleitoral. Partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial agora buscam preservar espaço junto ao governo Lula e evitar que o PL avance sobre o comando do Congresso Nacional. O eixo central das articulações é a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado.

Na Câmara: PT apoia Motta e cria barreira ao PL

O PT formalizou apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB), ampliando para 361 deputados a base que respalda sua permanência no comando da Casa a partir de 2027. Mas o apoio vem com uma condição clara: a federação PT-PCdoB-PV ameaça deixar o bloco caso o PL e o Novo sejam admitidos no grupo.

Com a maior bancada da Câmara (121 deputados), o PL não vai disputar a presidência, mas já sinalizou que buscará maior protagonismo nas comissões estratégicas, especialmente na CCJ, Relações Exteriores e Segurança Pública — colegiados que definem a tramitação de projetos e exercem fiscalização sobre o governo.

“A posição na eleição presidencial não significa adesão automática a uma estratégia conjunta com o PL no Legislativo”, avaliam dirigentes do Centrão.

No Senado: União Brasil e PP fecham com Alcolumbre

A federação União Progressista (União Brasil + PP) confirmou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (AP), enfraquecendo a possível candidatura da senadora Tereza Cristina (PP-MS) ao cargo.

O PL agendou para 4 de novembro a decisão sobre lança ou não o senador Rogério Marinho (RN) contra Alcolumbre. Há pressão dentro da oposição para que Marinho e Tereza Cristina fechem uma chapa única, evitando divisão de votos.

Alcolumbre já soma apoios de PT, MDB, PSD, União Brasil e PP — cinco legendas que juntas terão 33 senadores na próxima legislatura. São oito votos a menos que os 41 necessários para vencer no primeiro turno.

A disputa também passa pela pauta sensível do impeachment de ministros do STF: o presidente do Senado tem poder sobre a tramitação desses pedidos, e Rogério Marinho defende mudanças nas regras de análise — ponto central para a estratégia bolsonarista.

Em resumo

-Centrão recalibra: apoios eleitorais não se transformaram automaticamente em aliança parlamentar. União Brasil, PP e Republicanos mantêm diálogo com o governo Lula.
-PL se reposiciona: sem chegar à presidência, a legenda quer ampliar influência nas comissões da Câmara e avalia desafiar Alcolumbre no Senado.
-Foco nas eleições: a composição das mesas diretoras da Câmara e do Senado será definida em fevereiro de 2027, e as negociações já estão em curso.

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