A vinda do deputado federal Nikolas Ferreira ao Acre, em agenda organizada pelo senador Márcio Bittar, provocou uma resposta firme da liderança Ashaninka Francisco Piyãko. Em manifestação, ele afirmou que os povos indígenas não aceitam ter sua história, seu modo de vida e seus direitos transformados em peça de campanha ou tema de deboche nas redes sociais.
“Primeiro eu falo de nós: das nossas terras, dos nossos rios, do nosso conhecimento, da nossa resistência. A floresta não é cenário para político gravar vídeo e ir embora. Ela é a nossa casa, o nosso chão, a nossa vida. Tudo isso está na nossa Constituição, e mexer nos nossos direitos é mexer na nossa sobrevivência”, destacou Piyãko.
Para ele, a visita de Nikolas Ferreira teve como único objetivo ganhar visibilidade digital, não dialogar com as comunidades. A liderança criticou falas do deputado que tratam políticas públicas voltadas aos povos originários como “desperdício” ou “privilégios”, e citou expressões usadas por ele — como menções a gastos com “batons, calcinhas e brinquedos” — como ataques à dignidade de quem vive e protege a floresta.
“Ele não nos conhece, não quer nos conhecer e não tem capacidade de entender o que está em jogo. O que ele faz é espalhar desinformação e deboche para alimentar ressentimentos, enquanto no Congresso tentam enfraquecer nossas garantias”, afirmou.
Piyãko também questionou o papel de Márcio Bittar na articulação da agenda. “O que se vê na mídia é que o interesse é eleitoral, é tentar tirar voto. Não há preocupação real com os nossos problemas, com a floresta, com o futuro da região”, disse, completando que respeita apenas autoridades que chegam para conversar, discutir e construir soluções com seriedade.
A liderança reforçou que a luta dos povos indígenas não é nova e não depende de visitas ou holofotes. “Nós não vamos desaparecer. Estamos aqui há séculos, resistindo a pressões econômicas, políticas e ideológicas. Vamos continuar defendendo quem trabalha para manter a floresta em pé e quem respeita a nossa existência, e nos opondo a quem quer nos destruir ou nos usar como instrumento político”, concluiu.
Na visão dele, a disputa atual vai além de debates sobre orçamento: é uma escolha entre manter vivos os saberes e os territórios que preservam a Amazônia ou entregar essas terras a grupos que querem explorá-las, ignorando a Constituição e a vida de quem dela depende.







