Mailza propõe mesa permanente de negociação e avalia demandas de militares

4 Min Read
Mailza propõe mesa permanente de negociação e avalia demandas de militares

A governadora e candidata à reeleição Mailza Assis (PP) se reuniu com representantes de associações de militares na terça-feira (15), no Clube dos Oficiais, em Rio Branco. O encontro reuniu policiais militares e bombeiros que apresentaram reivindicações voltadas à remuneração, carreira e condições de trabalho.

Durante a reunião, Mailza defendeu a criação de um canal contínuo de diálogo e anunciou a instalação de uma mesa permanente de negociação, iniciativa já apresentada anteriormente a sindicatos. “Tudo precisa ser constante. O que combinarmos e identificarmos como necessidade será discutido. A partir de agora, todas as categorias terão espaço para falar e buscar soluções”, afirmou.

A governadora explicou que cada demanda será analisada conforme a viabilidade administrativa e financeira do Estado: algumas podem ser atendidas por decisão imediata, enquanto outras exigem estudos e planejamento. “Vamos dizer sim ou não, mostrar o caminho. Muitas questões não precisam esperar muito — basta definir prioridades”, acrescentou.

O tema central apresentado pela categoria foi o realinhamento salarial. Mailza reconheceu a importância da pauta, mas ressaltou que medidas de maior impacto dependem da saúde fiscal do Estado e de recursos planejados. “Precisamos planejar cortes, aumentar receitas e discutir junto com vocês o que é possível. Segurança, educação e assistência são áreas essenciais; sem organização, não haverá reserva para nenhuma categoria”, observou.

Ela reforçou ainda que a valorização não se resume a salários: passa também por estrutura, equipamentos e condições de trabalho que garantam a segurança dos profissionais e da população.

O que pede a categoria

O presidente da Associação dos Militares do Acre (AME-AC), sargento Jean Messias, confirmou que o realinhamento é a prioridade máxima. Segundo ele, o processo envolve pautas complementares: titulação, reestruturação de carreira e escalonamento vertical. “Queremos acabar com a estagnação: passar dez anos na mesma graduação sem evolução não faz sentido. Quando há promoção, precisa haver valorização real”, explicou. Ele reconheceu avanços em infraestrutura nos últimos anos, mas defendeu correções efetivas na remuneração.

Já o presidente do Conselho Político Militar (CPM), tenente-coronel Prigulin Araújo, criticou a negociação sob pressão e a fragmentação dos direitos: “Auxílios e gratificações deveriam estar incorporados ao soldo. O que temos é insegurança jurídica — ninguém sabe o que receberá amanhã”. Para ele, o governo deve elaborar soluções de curto, médio e longo prazo em parceria com as entidades, sem depender de mobilizações para agir.

O tenente Abrahão Pupio, do Corpo de Bombeiros, detalhou o modelo defendido pela categoria: um plano de carreira com progressão vertical — definindo o topo da hierarquia e preservando a proporção entre postos — e progressão horizontal, que permite evolução mesmo sem vaga superior, por tempo de serviço. O projeto contempla ainda militares da ativa, inativos e pensionistas.

Segundo dados apresentados, a perda salarial acumulada pela inflação (IPCA) entre agosto de 2018 e julho de 2026 chega a 19,4% a 25%, conforme o posto. Na comparação com a Polícia Civil, a diferença pode alcançar 37%.

Propaganda
Compartilhe este artigo