Em nota oficial divulgada na última sexta-feira (3), a Associação Patinha Carente se pronunciou sobre o impasse envolvendo o destino das lhamas apreendidas no Acre, após o Ministério Público Federal (MPF) defender o abate sanitário como medida para o caso. A entidade reforça que seu compromisso é exclusivamente com a preservação da vida dos animais e rejeita qualquer acusação contrária a esse princípio.
A organização lembra que não tem especialização em espécies exóticas e nunca havia trabalhado com lhamas, mas assumiu voluntariamente o acolhimento por dever de responsabilidade. “Em nenhum momento afirmamos possuir estrutura específica para essa espécie, mas sim a disposição de fazer tudo o que estivesse ao nosso alcance para garantir assistência”, destacou trecho do documento.
Os primeiros óbitos já aconteceram no dia da chegada dos animais, consequência do estado de saúde debilitado após o transporte e das condições em que foram entregues. Outras mortes ocorreram posteriormente, fatos que estão sob acompanhamento e investigação do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Enquanto os órgãos técnicos e o MPF passaram a defender o abate como solução, a ONG mantém seu posicionamento contrário. Desde o início, todo o manejo, alimentação, atendimento veterinário, limpeza e cuidados diários são realizados por voluntários, com recursos de doações que cobriram integralmente os gastos das primeiras semanas.
Por determinação judicial, a entidade procurou o proprietário dos animais para colaborar com custeio e orientações técnicas. A partir de 8 de junho, ele passou a participar do processo, com apoio financeiro, envio de profissional veterinário e instruções sobre o manejo. A associação alerta, porém, que antes dessa colaboração haviam ocorrido quatro mortes — e outras seis aconteceram depois, o que demonstra a complexidade da situação, não falta de assistência.
Entre os fatores que explicam a instabilidade de saúde, a entidade cita a falta de adaptação das lhamas ao clima quente da região, muito diferente de seu ambiente original no Peru. A ONG defende que o retorno ao país de origem seria a medida mais adequada, mas diz que até agora não recebeu autorização ou apoio dos órgãos competentes para viabilizar essa alternativa.
A Patinha Carente reafirma ser a única instituição atuando diretamente no atendimento aos animais em Rio Branco e classifica como improcedentes as alegações de abandono ou negligência. A entidade segue aguardando a decisão final da Justiça sobre o destino definitivo do grupo.












