Mercado eleva projeções de inflação e reduz expectativa de crescimento para 2027

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Mercado eleva projeções de inflação e reduz expectativa de crescimento para 2027

A reeleição de Lula provocou uma onda de revisões nas projeções econômicas do mercado financeiro. O Ibovespa caiu mais de 18% na semana pós-eleição, e agora as atenções se voltam para os números de inflação e crescimento em 2027 — ambos sendo reavaliados para pior.

Inflação pode chegar a 6%

Diversas instituições financeiras estão elevando suas estimativas para o IPCA no próximo ano. Enquanto a mediana do mercado ainda aponta 4,34%, bancos como o Itaú já projetam 6,1% de inflação em 2027 — alta de 1,5 ponto percentual em relação à estimativa anterior. Outros nomes como Daycoval (4,7%), Lifetime Investimentos (acima de 5%) e Warren (até 5,5%) também revisaram para cima.

Cinco fatores explicam essa pressão:

-Dólar mais caro: moeda norte-americana subiu 9,17% na semana pós-eleição
-El Niño: deve impactar a produção e o preço dos alimentos
-Combustíveis: fim de subsídios e preço do petróleo acima de US$ 100
-Fim da escala 6×1: aumento de custos trabalhistas deve reprecificar serviços
-Reforma tributária: alíquota da CBS pode superar expectativas

Crescimento econômico perde força

Com juros mais altos por mais tempo e inflação pressionada, a expectativa para o PIB também caiu:

-Itaú: de 1,2% para 0,5%
-ASA: próximo de zero, com risco de recessão

“A necessidade de manter juros restritivos por mais tempo deve pesar sobre o consumo, o investimento e o crédito”, avalia Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú.

O principal ponto de atenção dos investidores é a política fiscal dos próximos anos. A falta de clareza sobre o novo ministro da Fazenda e a estratégia de consolidação das contas públicas mantém o mercado cauteloso. Sem um plano fiscal crível, os riscos para inflação e crescimento tendem a se agravar nos próximos meses.

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