Lula evita “unção” de sucessor e mantém em aberto escolha para a Casa Civil

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Lula evita

Presidente prefere não apontar um favorito entre nomes cotados e avalia outras alternativas, além de buscar soluções para acomodar peso político de Haddad e Camilo Santana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém em aberto a definição do novo titular da Casa Civil, considerada a pasta mais influente do governo federal. Segundo aliados, ele decidiu não se precipitar e prefere ampliar o leque de opções — principalmente porque evitaria que a escolha seja interpretada como uma antecipação de sucessão presidencial.

Nos dias que seguiram a reeleição, a expectativa do mercado político apontava para uma disputa entre dois ex-ministros: Fernando Haddad e Camilo Santana. Antes do segundo turno, Haddad aparecia como o nome preferido. Já Camilo Santana ganhou impulso ao integrar o núcleo central da campanha e ser apontado como peça-chave para a vitória eleitoral.

No entanto, Lula tem ponderado com interlocutores que nomear um dos dois poderia ser lido pela opinião pública como uma “unção” de sucessor — algo que ele quer evitar neste que será seu último mandato. Por isso, sinalizou que pretende avaliar também outros nomes.

Entre os nomes que começam a ganhar força está o de Gleisi Hoffmann, ex-ministra e presidente nacional do PT, que ficou sem mandato ao perder a disputa pelo Senado no Paraná. A sugestão já foi apresentada ao presidente por aliados.

Além disso, a equipe do presidente discute como acomodar a importância política de Haddad e Camilo Santana em postos de destaque, sem concentrar os dois na mesma disputa. Entre as opções estão:

-Ministério da Educação — onde Camilo Santana já tem reconhecida trajetória e pode tocar projetos como a universalização da escola em tempo integral e a continuidade do programa Pé-de-Meia Universitário
-Ministério da Segurança Pública — nova pasta que deve ser criada caso avance a PEC da Segurança Pública em tramitação no Congresso

A preocupação com a leitura política da indicação remete ao passado: nas duas primeiras gestões de Lula, a Casa Civil foi comandada por Dilma Rousseff, que ficou conhecida como a “mãe do PAC” e acabou indicada pelo presidente como sua sucessora. O presidente quer evitar repetir esse cenário e manter o foco na governabilidade do mandato que se inicia.

A decisão final ainda não tem data definida, mas deve ser anunciada nos próximos meses, conforme se aproxima a transição governamental.

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