Data inédita: cerimônia será em 5 de janeiro de 2027, em Brasília. Passagens já registram aumento de preços e partido mobiliza movimento popular para a solenidade
Logo após a confirmação da vitória nas eleições presidenciais, cresceu significativamente a procura por passagens e hospedagem em Brasília para a cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para 5 de janeiro de 2027 — uma mudança inédita no calendário da transição presidencial.
Dados do Google Trends mostram que buscas por termos como “passagem para Brasília” cresceram 70% na semana logo após o segundo turno, com pico no dia 26 de outubro. Já os valores das passagens também reagiram: um voo direto de São Paulo à capital federal, na véspera da cerimônia, custa atualmente cerca de R$ 1.500 — mais do que o triplo da tarifa média de janeiro de 2026, que ficou em R$ 444,63, conforme dados da Anac. A alta também é verificada em trechos partindo do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Belém.
Já nas redes sociais e plataformas de turismo, dezenas de pacotes e excursões estão sendo oferecidos ao público, com valores que variam de R$ 390 a R$ 2 mil.
Pela primeira vez desde a Constituição de 1988, a posse presidencial não acontece no dia 1º de janeiro. A mudança para 5 de janeiro foi estabelecida por Emenda Constitucional de 2021 e tem como objetivo principal possibilitar a presença de chefes de Estado estrangeiros na solenidade. A posse dos governadores passa a ocorrer em 6 de janeiro, enquanto a dos parlamentares segue em 1º de fevereiro.
Entre os convidados confirmados está o presidente do Chile, José Antonio Kast. A diplomacia brasileira também deve estender convites aos presidentes Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina), como é praxe nas cerimônias de posse.
A cúpula nacional do Partido dos Trabalhadores orientou diretórios estaduais, municipais, parlamentares, sindicatos e movimentos sociais a organizarem caravanas populares rumo a Brasília. A sigla avalia que a data tem um significado histórico especial, podendo ser a última posse do presidente Lula, que já sinalizou não buscar novo mandato.
“A mudança da data facilita o planejamento. Além disso, a possibilidade de ser a última posse de Lula confere um simbolismo especial à ocasião”, destaca Guilherme Sigmaringa, presidente do PT-DF.
A expectativa da legenda é superar a marca de aproximadamente 300 mil pessoas presentes na posse de 2023. O governo federal ainda não iniciou oficialmente os preparativos no Planalto; Lula tem dedicado os primeiros dias pós-eleição a descanso e reuniões internas, devendo retomar a pauta administrativa sobre a posse na segunda quinzena de novembro, após viagens internacionais.












