Acre chega a quase 200 mil toneladas de grãos, mas alta de insumos e concorrência ameaçam produtores

4 Min Read
Acre chega a quase 200 mil toneladas de grãos, mas alta de insumos e concorrência ameaçam produtores

O setor agrícola do Acre registrou um volume expressivo de produção de grãos, chegando a 197.413 toneladas até fevereiro de 2026, conforme dados do último boletim técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC). O resultado é formado principalmente por 86,8 mil toneladas de milho da primeira safra, 59,7 mil toneladas de soja e mais 50,8 mil toneladas de milho da segunda safra. Os números mostram a consolidação da atividade, especialmente na região da AMACRO, onde a fronteira agrícola vem se expandindo — as lavouras ocupam hoje cerca de 58 mil hectares no estado.

A divisão da produção reforça a predominância do milho: ele corresponde a 70% do total (44% na primeira safra e 26% na segunda), enquanto a soja representa 30% do volume colhido. Em termos de rendimento por área, o milho da segunda safra foi o que apresentou melhor desempenho técnico, mas o levantamento alerta que números altos não significam, por si só, garantia de rentabilidade para quem produz no estado.

Um dos principais desafios vem de fora: o milho vindo do Mato Grosso chega ao mercado acreano com custos muito mais baixos, por conta da escala de produção da região Centro-Oeste. Essa concorrência pressiona os preços praticados localmente e reduz a margem de lucro dos produtores acreanos, que não conseguem competir em igualdade de condições.

O cenário externo também não ajuda. Relatório internacional WASDE, referência no setor, projeta para 2026 uma oferta abundante: os Estados Unidos devem manter grandes estoques de milho, de 53,9 milhões de toneladas, o que segura os preços internacionais em baixa. Já o Brasil segue líder mundial na produção de soja, com estimativa de 156 milhões de toneladas, volume que também contribui para manter as cotações contidas. Para a FAEAC, nesse contexto, o produtor precisa ficar atento às variações cambiais para escolher o melhor momento de vender.

Internamente, o quadro de preços é desfavorável e vem caindo há anos. Em Rondônia, por exemplo, a saca de 60 kg de soja passou de R$ 175,35 em março de 2022 para R$ 107,31 em fevereiro de 2026. Em Rio Branco, os valores pagos ao produtor no início deste ano foram de R$ 115,00 para a saca de soja e R$ 75,00 para a de milho — patamares considerados baixos diante dos gastos para produzir.

O ponto mais crítico, porém, está nos custos de produção. O painel de alerta da federação mostra aumentos agressivos nos preços de insumos essenciais: a ureia subiu 40%, o glifosato teve alta de 108,3% e o imidacloprid saltou 134,6%. Mesmo os adubos fosfatados, com elevação de 7%, estão na lista de atenção. No caso da ureia, o produto chegou a custar 660 dólares por tonelada, valor influenciado diretamente por tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Diante desse cenário — preços em queda e custos disparados — a orientação da FAEAC é clara: a única forma de sobrevivência econômica no setor é investir em eficiência produtiva e fazer uma gestão financeira rigorosa, controlando gastos e fluxo de caixa para não comprometer a atividade rural.

Propaganda
Compartilhe este artigo