Uma família venezuelana com seis crianças vive há 15 dias nas proximidades do posto Correntão, no acesso à BR-364, em Rio Branco. O casal, Sinde Julies e Juan Noris, deixou a casa de passagem municipal após 12 dias de estadia, dizendo que o prazo de acolhimento havia se esgotado e que não recebeu o auxílio com passagens para seguir até Santa Catarina, onde têm familiares. A família depende de doações de moradores para tentar juntar os cerca de R$ 5 mil necessários à viagem.
Segundo os relatos, a saída não foi determinada pela administração da casa de passagem. “Saímos por conta própria, porque já tínhamos 12 dias. Lá nos dão comida e bebida, mas nos dão só 15 dias para estar no abrigo e depois já temos que sair”, explicou Sinde. O marido, Juan, confirmou que o destino é Santa Catarina, onde a esposa tem parentes. Durante o dia, o grupo permanece no ponto de apoio; à noite, dormem na casa de conhecidos.
O secretário municipal de Assistência Social, Ivan Ferreira, confirmou que a casa de passagem funciona há mais de quatro meses e está acima da capacidade prevista. O espaço foi projetado para atender até 50 pessoas, mas já chegou a abrigar mais de 70, o que gera conflitos internos e dificuldade de atendimento. “Muitos imigrantes chegam em condições de saúde debilitadas, incluindo crianças e idosos”, acrescentou. A prefeitura afirma oferecer refeições e abordagem social, mas destaca que a política migratória é responsabilidade conjunta dos três níveis de governo.
A reportagem identificou outros migrantes — venezuelanos, colombianos e pessoas de países africanos — pedindo ajuda nas proximidades da Expoacre. O Acre é apontado como principal porta de entrada para quem segue para Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. O município mantém diálogo com o Comitê de Migrações, o Ministério Público e órgãos de controle para buscar soluções.












