A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aceitou nesta quinta-feira o pedido de desculpas feito pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pondo fim a um desentendimento que durou meses e abalou a base política bolsonarista. Em pronunciamento nas redes sociais, ela elogiou a atitude do parlamentar e convidou para um encontro a fim de selar a reconciliação.
“Eu te desculpo. Vamos sentar, vamos conversar, ajustar os detalhes e juntos vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil”, declarou Michelle. Segundo ela, o gesto de Flávio de se pronunciar publicamente “tem muito valor e poucos homens teriam coragem de fazer isso”. A ex-primeira-dama reforçou ainda que o momento pede união: “Precisamos reconstruir o Brasil, que precisa de gente de pé, não de gente dividida, pelo bem do povo brasileiro”.
Mais cedo, Flávio Bolsonaro havia publicado vídeo em que reconhece que ninguém é perfeito e reafirma o pedido de desculpas por eventuais incômodos causados. “O momento é difícil para todo mundo. Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores”, afirmou o senador, que renovou o convite para caminharem juntos na “missão de defender o Brasil”.
Michelle também agradeceu o trabalho de mediação feito pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e pela senadora Damares Alves (Republicanos), fundamentais para o restabelecimento do diálogo.
O desentendimento
A crise teve início em dezembro do ano passado, quando o PL articulava uma aproximação com Ciro Gomes no Ceará. Michelle se posicionou contra a aliança, alegando não abrir mão de seus valores — o que teria gerado uma reação ríspida de Flávio. Em junho, ela revelou publicamente ter sido desrespeitada em conversa telefônica: “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”. Pouco depois, deixou a presidência do PL Mulher, alegando querer se dedicar exclusivamente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na ocasião, Flávio já havia negado qualquer intenção de ofender e adiantou o pedido de desculpas, mas o rompimento só foi superado nesta quinta-feira.
A reaproximação ganha destaque num momento em que o senador busca ampliar seu apoio partidário: após anúncio de neutralidade do PP e do União Brasil, Flávio tenta fortalecer laços com o Republicanos e o Podemos. A avaliação dentro do PL é que a influência de Michelle, especialmente junto ao eleitorado evangélico, pode ser decisiva para alterar a postura do Republicanos, que sinaliza neutralidade na disputa presidencial.











