Integrantes do Ministério Público Federal expressaram à CNN perplexidade e constrangimento diante das menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, no relatório da Polícia Federal que investiga a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. As manifestações ocorreram nas últimas 48 horas e refletem um clima de descontentamento interno na instituição.
No documento da PF, aparecem trocas de mensagens entre o advogado Ciro Passos e Vorcaro com menções a Gonet. Entre os assuntos citados estão passagens aéreas internacionais para o filho do PGR, encontros para fumar charuto e tomar whisky, além de fotos compartilhadas entre eles. Procuradores ouvidos classificaram a proximidade como um erro que compromete o princípio da independência, mesmo considerando que, à época, o caso do Banco Master ainda não havia explodido publicamente.
A postura de Gonet de agir em poucas horas para pedir o arquivamento do relatório — quando o prazo era de cinco dias — também foi alvo de críticas. Ele adotou a mesma postura em relação a denúncias feitas por Vorcaro em depoimento ao STF. Para integrantes da instituição, a velocidade com que agiu contrasta com a necessidade de isenção do cargo.
Grupos internos do MPF mantêm silêncio, em razão de uma medida baixada pela própria gestão Gonet, que, segundo procuradores, inibiu manifestações da categoria. Em paralelo, ganha força a defesa do retorno da lista tríplice para a escolha do próximo procurador-geral — um modelo que vigorou até 2019, quando foi abandonado pelos presidentes subsequentes. Tanto Bolsonaro quanto Lula escolheram os PGR sem consultar a lista elaborada pela categoria.
Procuradores avaliam que a forma de escolha atual compromete a independência do cargo. No caso de Gonet, lembra-se que seu nome foi aprovado após consulta aos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, o que, segundo eles, torna difícil uma eventual investigação contra Moraes. A ideia da categoria é pressionar pela aprovação de uma PEC que constitucionalize a lista tríplice, garantindo maior autonomia ao MPF. Gonet permanece no cargo até dezembro de 2027 e não se manifestou sobre as críticas.












