O Partido Liberal deve selar apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados, mas manterá firme a posição de lançar candidato próprio ao comando do Senado. A estratégia será definida oficialmente em reunião da bancada marcada para a próxima terça-feira (3), às 18h.
Inicialmente, o partido chegou a avaliar lançar candidatura própria — com os nomes do líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e do vice-presidente Altineu Côrtes (PL-RJ). Porém, a ideia perdeu força diante da avaliação de que Hugo Motta já reúne apoio amplo de 15 partidos, incluindo o PT.
A ala ligada ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defende o acordo com Motta com um argumento prático: fora do bloco majoritário, mesmo sendo a maior bancada da Casa — com 121 deputados —, o partido perderia poder na distribuição das presidências das comissões. Quem fica fora dos grandes blocos escolhe por último, quando os cargos mais cobiçados já foram distribuídos.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa, é um exemplo: é justamente a presidência almejada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL). Sem acordo, a chance de o partido comandá-la diminui bastante.
Há resistência interna, porém. Uma parcela da bancada opõe-se ao apoio por considerar Hugo Motta muito próximo do presidente Lula. Já o PT ameaça deixar o bloco de apoio a Motta caso ele feche acordo também com o PL.
A posição é diferente no Senado. Segundo apuração da CNN, a hipótese de a oposição não lançar candidato é considerada “zero”. O senador Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da oposição, será o nome do partido para disputar a presidência contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O cenário é mais complexo para o PL, mesmo com a bancada crescendo para 28 senadores — a maior da Casa. Alcolumbre já sinaliza ter pelo menos 48 votos garantidos para a reeleição. A disputa é ainda mais incerta porque, ao contrário da Câmara, os blocos partidários no Senado costumam ser formados apenas após a eleição da Mesa Diretora.
Um dos pontos centrais da divergência é o destino de dezenas de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal parados no Senado, especialmente contra Alexandre de Moraes. Alcolumbre chegou a sinalizar que poderia pautar o tema, mas posteriormente recuou e disse não pretende colocá-lo em votação.
Rogério Marinho tem criticado o que chama de “poder desmedido” da presidência do Senado e defende uma mudança no regimento: que os pedidos de impeachment sejam levados ao plenário automaticamente ao reunirem 49 assinaturas. Mesmo com a mudança, porém, aprovar um pedido exigiria 54 votos — dois terços da Casa —, patamar muito acima dos 28 senadores do PL. Estimativas apontam que cerca de 50 senadores seriam favoráveis à abertura de processos.
A disputa também influencia o futuro do Judiciário. O presidente Lula terá de indicar ao menos quatro novos ministros ao STF e seis ao STJ até o fim do mandato, em razão de aposentadorias compulsórias. A primeira vaga no Supremo está aberta desde a saída de Roberto Barroso, e a indicação de Jorge Messias já foi rejeitada pelo Senado. Com um Senado mais resistente, novos nomes enviados pelo Planalto podem enfrentar maiores dificuldades e atrasos.












