O encontro presencial entre os candidatos ao Governo do Acre marcado para esta segunda-feira na TV Norte passou por mudanças de última hora. Problemas técnicos inviabilizaram o formato de confronto direto entre os postulantes ao Palácio Rio Branco, e a emissora optou por realizar entrevistas individuais. Além disso, a candidata Mailza Assis (Progressistas) não compareceu à atração.
Assim, Alan Rick (Republicanos), Tião Bocalom (PSDB/Cidadania) e Thor Dantas (PSB) dispuseram de cerca de 20 minutos cada para expor suas plataformas e responder a questionamentos em áreas centrais como economia, saúde, educação e segurança pública.
Economia: cada um com um caminho para gerar renda
Os três candidatos apresentaram diagnósticos e propostas distintos para impulsionar a atividade econômica e abrir postos de trabalho no estado.
Alan Rick chamou a atenção para dados do Sebrae que apontam o Acre como o estado com maior perda de empreendedores do país nos últimos cinco anos — cerca de 30% do total, o que corresponde a aproximadamente 30 mil pessoas. Para reverter esse quadro, defendeu a criação de um balcão único de negócios para simplificar a abertura de empresas, além de parcerias público-privadas e atração de investimentos externos. “Precisamos reduzir a dependência da economia em relação ao setor público e ao contracheque do funcionalismo”, afirmou.
Já Tião Bocalom focou no fortalecimento da produção local como forma de fazer o dinheiro circular dentro do estado. “Quero ver o dinheiro no bolso do povo acreano”, resumiu, ao defender incentivos à produção rural e à indústria instalada no território estadual.
Thor Dantas, por sua vez, apostou na industrialização da produção como eixo central do desenvolvimento. “Produzir e exportar apenas matéria-prima gera pouca riqueza. Precisamos agregar valor aqui dentro”, argumentou. Defendeu ainda mais assistência técnica, crédito e mecanização para os pequenos produtores, além de priorizar a compra da produção local para a alimentação escolar. Também citou setores como tecnologia, software e inteligência artificial como áreas de formação e inserção profissional para os jovens.
Saúde: filas, gestão e profissionais em foco
A área de saúde foi alvo de críticas duras e de promessas de mudanças estruturais.
Alan Rick classificou a situação como emergencial e prometeu mutirões nos primeiros 100 dias para reduzir filas de consultas, exames e cirurgias — que, segundo ele, chegam a 30 mil pessoas apenas para procedimentos complementares. Anunciou ainda a implantação de prontuário eletrônico unificado e a regionalização dos serviços. “A saúde voltará a funcionar”, garantiu.
Tião Bocalom avaliou que a saúde pública está “na UTI”. Defendeu a construção de hospitais de pequeno porte nos municípios, a fixação de especialistas nas unidades regionais e garantia de abastecimento constante de medicamentos.
Thor Dantas, médico de formação, destacou a desorganização do sistema e o tempo de espera por procedimentos simples — de até cinco anos, segundo ele. Apontou a contratação de especialistas formados no próprio estado como prioridade e defendeu a transformação do hospital da Fundacre em unidade federal, com duplicação da capacidade. Também criticou a falta de profissionais em regiões afastadas, como o Alto Acre.
Educação: estrutura, valorização e combate ao desvio
Na educação, Alan Rick criticou a deterioração da rede física, a desvalorização dos profissionais e citou investigações que apuram supostos desvios de recursos — mencionando a Operação Mitocôndria (2020) e a Operação Talha Real (2026), que envolveriam valores de R$ 28 milhões e R$ 51 milhões, respectivamente. Prometeu levar internet, robótica e laboratórios às escolas, além de reajustar planos de carreira e combater a evasão escolar.
Thor Dantas também incluiu a educação entre as prioridades iniciais de governo, com foco na recuperação de escolas, qualidade da merenda, diálogo com os professores e oferta de cursos profissionalizantes para evitar a saída de jovens em busca de oportunidades fora do estado.
Segurança: valorização e integração das forças
Para a segurança pública, Alan Rick lembrou ter destinado R$ 68 milhões ao setor durante seu mandato como deputado federal. Prometeu reativar delegacias em funcionamento 24 horas, valorizar os profissionais e reestruturar órgãos de inteligência e comando. Criticou ainda a desativação da Delegacia de Combate à Corrupção.
Tião Bocalom alertou para o efetivo reduzido da Polícia Militar e a falta de materiais básicos, como munição. Defendeu parceria estreita com o Judiciário para evitar que infratores recém-presos retornem rapidamente às ruas.
Thor Dantas propôs a criação de um gabinete de crise reunindo Polícia Militar, Civil, Penal, Ministério Público e equipes de inteligência financeira para enfrentar a criminalidade de forma coordenada.
A atração na TV Norte foi uma das últimas oportunidades de exposição direta dos candidatos antes da votação do primeiro turno, marcada para 4 de outubro. Com a ausência de Mailza Assis, os três concorrentes buscaram apresentar-se como alternativa de gestão e de continuidade para o Acre.












