O senador Márcio Bittar (PL) usou as redes sociais nesta quarta-feira (13) para criticar o governo federal e acusar o presidente Lula de agir por interesse eleitoral ao revogar a chamada “taxa das blusinhas” — a cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50. O posicionamento, no entanto, gerou críticas por contrariar o próprio histórico do parlamentar, que apoiou a criação da medida ainda em 2024, durante votação no Senado.
Em vídeo publicado em seu perfil, Bittar questionou a forma como a revogação foi feita, por meio de Medida Provisória, e levantou dúvidas sobre a continuidade da decisão após as eleições. “O governo taxa tudo, mas agora, vendo que a medida era impopular e que a canoa estava afundando, resolveu acabar com o que ele mesmo criou. Mas qual o risco? Uma MP dura só quatro meses. Depois da eleição, será que mantém? Ou foi só manobra eleitoreira? Se quisesse mudar de verdade, teria enviado um projeto de lei ao Congresso”, declarou.
Para o senador, a mudança de postura do governo é reflexo da rejeição popular. “Essa taxa aumentou o preço de produtos que muita gente compra. Quando percebeu que deu errado, veio com essa medida provisória. Nós vamos ficar atentos a esse governo que gasta mais do que arrecada, que gera inflação e deixa a vida do brasileiro cada vez mais apertada. Em breve, nas urnas, vamos varrer a esquerda do poder”, afirmou.
O ponto contraditório do discurso está na votação de junho de 2024, quando a cobrança foi mantida pelo Senado. Na ocasião, a votação ocorreu de forma simbólica: apenas os votos contrários ficam registrados nominalmente. Bittar estava presente, mas não se manifestou contra a taxa, o que, na prática, caracterizou seu apoio à medida, ao lado do senador Sérgio Petecão. Já o senador Alan Rick não participou da sessão por estar em missão oficial fora do país.
A revogação da taxa anunciada pelo governo atendeu a uma pressão de consumidores, varejistas e também de parlamentares, mas para Bittar a iniciativa não passa de uma tentativa de recuperar popularidade, embora ele próprio tenha contribuído para aprovar a regra que agora é alvo de críticas.












