O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) usou a tribuna nesta terça-feira (4) para denunciar uma grave crise no transporte escolar de Tarauacá, onde cerca de 130 barqueiros estão com salários e valores de locação de embarcações atrasados — em alguns casos, há quase um ano sem recebimento. O serviço chegou a ser suspenso na última sexta-feira (1º).
Os problemas recaem sobre três empresas contratadas para a realização do transporte. A situação mais crítica é da Suply Soluções em Tecnologia e Transportes Ltda: 75 profissionais aguardam há quatro meses pelo salário, enquanto os aluguéis dos barcos estão sem pagamento há 11 meses. Já a LOACRE — Locadora Comércio e Representação Ltda. — deixa de quitar desde 2025 os valores referentes aos 35 trabalhadores que atuam em seu nome. Apenas a empresa Lopes, contratada recentemente, mantém os pagamentos em dia para os 25 profissionais vinculados.
Segundo o parlamentar, a informação repassada pelo secretário Reginaldo dá conta de que será quitado um mês de débito nesta terça, mas não explica por que as empresas permanecem sem qualquer punição mesmo com tantos meses de inadimplência. “Como uma empresa atrasa 11 meses a locação do barco e não sofre nenhuma sanção? Quem tem que pagar é o trabalhador? Quem tem que passar pelas privações são os estudantes e a comunidade escolar”, questionou.
Edvaldo Magalhães acrescentou que a situação já comprometeu o calendário letivo: “Se botar na ponta do lápis, não foi cumprida nem metade dos dias letivos obrigatórios do primeiro semestre, seja por falta de transporte, problemas com a merenda ou falta de professores. Estão condenando uma geração a não ter acesso ao básico”.
Outro ponto levantado é o atraso também no fornecimento de combustível, essencial para a manutenção do serviço. “Há uma quantidade mínima pactuada em contrato, mas não está sendo cumprida. Talvez por essa mesma malandragem toda, a Polícia Federal realizou uma operação e colocou sob suspeição mais de R$ 50 milhões destinados ao transporte escolar”, lembrou o deputado.
Ao usar a palavra, o deputado Eduardo Ribeiro (Republicanos) endossou a preocupação: “Muita verba chega para a Educação, mas o que vemos é uma geração em risco. Isso é inadmissível e esta Casa precisa acompanhar com total atenção”.












