A atuação do ministro André Mendonça nos casos do Banco Master e das fraudes no INSS ampliou o protagonismo no Supremo Tribunal Federal (STF), mas a derrota por 8 a 2 no julgamento que derrubou a prorrogação da CPI que investigava os descontos indevidos nas aposentadorias e pensões expôs os limites dessa ascensão, sobretudo em temas que exigem maioria mais ampla e envolvem a relação com o Congresso.
Nos bastidores do STF, o resultado foi interpretado como um recado da maioria da Corte. Ministros ouvidos pelo GLOBO ponderam, no entanto, que isso não chega a alterar o cenário favorável em torno do relator das principais investigações em andamento.
Interlocutores avaliam que se trata do primeiro revés relevante em uma sequência de decisões em que Mendonça vinha se afirmando como protagonista, e que o placar deve levá-lo a intensificar a articulação interna para a formação de maiorias, especialmente em casos que tensionam a divisão de competências entre os Poderes.
Além do caso Master, que expôs o tribunal a uma crise de imagem e abriu caminho para desdobramentos como a negociação para a delação do banqueiro Daniel Vorcaro, Mendonça também concentra a relatoria de frentes com alto potencial de desgaste político, como as apurações sobre fraudes no INSS. Esse acúmulo de processos, na avaliação de interlocutores, contribuiu para colocá-lo em posição estratégica dentro da Corte, com capacidade de pautar debates e impor timing próprio às investigações.
Reforço no gabinete
O gabinete de Mendonça também passou por um reforço, com a incorporação de delegados da Polícia Federal à equipe que auxilia o ministro. Esses dois auxiliares foram totalmente cedidos pela PF e atuam como assessores. Segundo relatos feitos ao GLOBO, os profissionais ajudam na análise de provas, na organização de informações e na interlocução com órgãos de investigação.
Além disso, atualmente o gabinete conta com um juiz auxiliar especialmente destacado para lidar com o caso Master e recebeu recentemente autorização para remanejar a equipe internamente. Com o aval do presidente da Corte, Edson Fachin, Mendonça passou a contar com mais um juiz auxiliar e ganhou servidores que antes atuavam com Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro de 2025.
A movimentação ocorre em um momento de aumento da carga de processos sensíveis no gabinete. Auxiliares da Corte avaliam que o reforço técnico busca dar maior vazão ao fluxo de medidas que são tomadas nesses inquéritos e garantir maior controle sobre o fluxo de informações nesses processos que são considerados de alta exposição política.
Reservadamente, ministros observam que Mendonça tem adotado uma postura mais assertiva desde que assumiu o caso Master, em contraste com a atuação mais discreta que marcou parte de sua trajetória inicial no tribunal. A leitura é de que ele passou a testar os limites do cargo, tanto na condução de medidas investigativas quanto na interlocução com outros Poderes, em especial ao reforçar a autonomia da Polícia Federal e ao tensionar posições da Procuradoria-Geral da República (PGR) em momentos-chave do processo.












